quinta-feira, 5 de junho de 2008

História: Turquia, adversário talismã

Se há conjuntos que são autênticas 'bestas negras' para a Selecção Nacional - casos da Itália e da França -, outros revelam-se como oponentes de ouro. É o caso dos turcos.
A 'equipa das quinas' mediu forças com a Turquia por duas vezes em fases finais de Europeus, 1996 e 2000, saindo desses confrontos com um 'sorriso nos lábios'. Resta esperar agora que, no próximo sábado, prevalença o ditado que diz não 'existem duas sem três'...
Como curiosidade aqui ficam os embates anteriores dos lusos perante este antagonista:

EURO'96 (Inglaterra) - 14 Junho de 1996

PORTUGAL - TURQUIA, 1-0
O Campeonato da Europa de 1996 foi a primeira grande competição em que participou a chamada 'geração de ouro'. Da equipa portuguesa faziam parte nomes, alguns ainda jovens, que 'davam cartas' no futebol europeu, como Vítor Baía, Fernando Couto, Paulo Sousa, Figo, Rui Costa e João Pinto, entre outros. António Oliveira era o seleccionador.
Portugal encontrou a Turquia no segundo jogo da fase de grupos. Este desafio era fundamental para ambos os conjuntos, uma vez que nenhum deles havia vencido a partida inaugural. Os lusos haviam empatado com a Dinamarca, enquanto que que os turcos tinham sido derrotados pela Croácia.
Num prélio bastante complicado, os portugueses acabariam por concretizar o objectivo dao triunfo. Fernando Couto aproveitou um ressalto na área adversária para apontar, aos 66 minutos, o tento vitorioso.

EURO'2000 (Bélgica e Holanda) - 24 Junho de 2000

PORTUGAL - TURQUIA, 2-0
Humberto Coelho era o treinador de uma equipa recheada de talento e já com maior experiência do que a de 1996.
A Selecção Nacional estava em alta na competição, com três vitórias nos três jogos da fase de grupos (Inglaterra, Roménia e Alemanha). Nos quartos-de-final, Portugal cruzou-se com a Turquia, numa partida cheia de incidências.
Alpay foi expulso, à meia-hora, o que facilitou a missão lusa. À beira do intervalo, as emoções ficaram ao rubro. Primeiro, Nuno Gomes colocou a 'equipa das quinas' em vantagem, aos 44 minutos, após uma boa combinação entre Rui Costa e Figo. Logo de seguida, Vítor Baía brilhou a grande altura, ao defender uma grande penalidade de Arif.
Na fase inicial do segundo tempo, aos 56 minutos, Nuno Gomes bisou, com um cabeceamento perfeito, a concluir uma brilhante jogada de Figo.
Portugal carimbou, assim, justamente, a passagem às meias-finais da prova. Curiosamente, o marcador dos golos lusos é o único jogador ainda ao serviço da Selecção. Seria excelente vê-lo repetir a proeza...

Fotos: Hugo Santos

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Opinião: Porto em 'maus lençóis'?

Os 'dragões' foram castigados pela UEFA com um ano de ausência das provas europeias, neste caso da Liga dos Campeões. Esta sanção não é definitiva, uma vez que os portistas vão interpor recurso da decisão.
No entanto, caso não veja os seus argumentos serem reconhecidos, o Porto pode ver comprometido o sucesso dos últimos anos. A possível ausência da 'Champions' implicaria enormes prejuízos financeiros (perda do prémio de presença, diminuição das receitas televisivas e de bilheteira, etc...) e até desportivos. Os 'azuis-e-brancos' poderiam ver-se obrigados a vender, pelo menos, mais um dos seus jogadores de maior valia para equilibrar as contas. Jesualdo Ferreira pode, assim, ficar com o seu plantel enfraquecido, até porque a não participação na 'Champions' poderá fazer com que outros elementos sigam as pisadas de Paulo Assunção... Aí, então, o caso seria mais grave.
Para já, não há ainda certezas absolutas e resta esperar para ver o que vai acontecer. Todavia, o Porto corre o risco de ficar em muito 'maus lençóis'...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Internacional: Lusos ganhadores além-fronteiras

Esta semana inicia-se o Europeu de futebol e todos nós, portugueses, desejamos que a Selecção Nacional seja uma das protagonistas do evento, à semelhança das duas edições anteriores. Se os pupilos de Scolari conseguirem prestações tão positivos como os emigrantes do nosso futebol que estão espalhados pela Europa, então os adeptos lusitanos podem estar confiantes numa boa campanha.
Analisando as provas dos países do 'Velho Continente' - e até internacionais - onde jogam portugueses, chega-se à conclusão que apenas na Alemanha e na Turquia não houve celebrações na língua de Camões.
No total, 31 futebolistas nacionais podem gabar-se de ter conquistado títulos no estrangeiro na presente temporada. E alguns deles arrebataram até mais que um troféu.
Cristiano Ronaldo e Nani surgem no topo destas lista. Os dois extremos do Manchester United juntaram três títulos ao seu currículo, sendo que um deles, a Liga dos Campeões, é o expoente máximo do futebol europeu. Mas estes não foram os únicos a ganhar mais que um título.
Na Roménia, na Sérvia e na Suíça houve 'dobradinhas' com contribuição nacional. O grande contigente de portugueses do Cluj, Ednilson e Moreira, pelo Partizan, e Carlitos, ao serviço do Basileia, juntaram ao Campeonato a conquista das respectivas Taças.
Por fim, no que a mais do que um troféu ganho esta temporada diz respeito, Antunes conquistou a Taça e a Supertaça de Itália com as cores da Roma.
Para além destes, muitos outros conquistaram um título nos mais diversos países: França, Espanha, Inglaterra, Chipre e Bulgária.

LISTA COMPLETA DOS EMIGRANTES TITULADOS EM 2007/2008:

- ESPANHA
Pepe (Real Madrid)- Campeonato
MIGUEL e Caneira (Valência) - Taça do Rei
Duda (Sevilha) - Supertaça








- FRANÇA
PAULETA (Paris SG) - Taça da Liga







- ITÁLIA

Maniche, PELÉ e Figo (Inter Milão) - Campeonato
Antunes (Roma) - Taça e Supertaça






- INGLATERRA
Nani e Cristiano Ronaldo (Manchester United) - Liga dos Campeões, Campeonato e Supertaça
Pedro Mendes (Portsmouth) - Taça
RICARDO ROCHA (Tottenham) - Taça da Liga



- SUÍÇA
Carlitos (Basileia) - Campeonato e Taça


- SÉRVIA
Ednilson e Moreira (Partizan) - Campeonato e Taça


- ROMÉNIA
Nuno Claro, Tony, Cadú, Amoreirinha*, Fredy, Manuel José, ANDRÉ LEÃO, Dani, Semedo e Pedro Oliveira (Cluj) - Campeonato e Taça





- CHIPRE

Paulo Costa e Luís Loureiro* (Anorthosis) - Campeonato
Hélio Pinto e Nuno Morais (APOEL) - Taça



- BULGÁRIA
ZÉ RUI (CSKA Sófia) - Campeonato

* não concluíram a temporada

Fotos: Hugo Santos

domingo, 1 de junho de 2008

Opinião: Postiga no Sporting é bom para todos e até para a Selecção

Tal como muitos adeptos de futebol, fiquei surpreendido com a transferência de Hélder Postiga para o Sporting. Muitos aficionados do Porto estarão desagradados com a saída do avançado para um clube rival e, por certo, alguns apaniguados leoninos também não terão apreciado a contratação do jogador. No entanto, penso que este negócio foi bom para todas as partes envolvidas.
Para o atleta, o Sporting é certamente um bom emblema para relançar a carreira. Hélder Postiga deixa de andar de empréstimo em empréstimo, fixando-se em definitivo num clube, ainda por cima num 'grande' do País. Dificilmente encontraria condições tão propícias para tentar atingir novamente um patamar elevado.
Por sua vez, para o conjunto 'verde-e-branco', Hélder Postiga será um reforço importante, sobretudo se atendermos ao facto de Liedson estar lesionado durante alguns meses. O ex-portista tem características que encaixam perfeitamente no modelo de jogo de Paulo Bento, assente em unidades móveis na frente de ataque.
Também para o Porto este foi um bom negócio. O dianteiro não tinha espaço no Dragão, não entrando nos planos de Jesualdo Ferreira. Assim sendo, os 'azuis-e-bracos' conseguem um razoável encaixe financeiro, ficando ainda com metade do passe do atleta.
Por fim, este desenlace foi igualmente positivo para a Selecção Nacional. O avançado entra no Europeu de cabeça limpa. Com o futuro resolvido, Hélder Postiga conseguirá, certamente, estar mais concentrado nesta importante competição.

Foto: Hugo Santos

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Opinião: Só cá faltava a Lei Webster...


Paulo Assunção rescindiu o contrato com o Porto ao abrigo da Lei Webster. Esta lei permite que um jogador, que tenha representado um clube pelo menos durante três anos, possa rescindir o vínculo contratual com o referido emblema, indemnizando-o no valor que iria auferir até final do contrato. No entanto, o atleta terá que mudar de país para invocar esta lei.
O 'trinco' brasileiro foi o primeiro a seguir este caminho no futebol português. Depois do, agora, ex-médio portista, por certo, outros se seguirão. Infelizmente... Mais uma lei que vem ao encontro dos interesses dos clubes financeiramente mais poderosos. Assim, tais emblemas apresentam propostas bastante vantajosas ao jogador, pagando apenas uns 'trocos' ao clube de onde este é proveniente. Só faltava isto ao já empobrecido futebol nacional...

Foto: Hugo Santos

terça-feira, 27 de maio de 2008

Opinião: A baliza do Sporting...

Já era para ter comentado este assunto na passada semana, mas a ausência de alguns dias impediu-me de o fazer. Causou-me estranheza a opção de Paulo Bento em dar a titularidade das redes leoninas ao jovem Rui Patrício. A meu ver, Stojkovic dava todas as garantias para defender a baliza no Sporting.
No entanto, na passada semana, o técnico dos 'leões' falou publicamente sobre esta matéria. Paulo Bento salientou que o internacional sérvio deixou de jogar devido a uma lesão e que, depois de ter perdido a titularidade, não teve o mesmo comportamento que os dois colegas de posto sempre tiveram quando não jogavam.
De facto há coisas que só podem ser explicadas por quem convive diariamente com os atletas. Assim sendo, dou inteira razão ao treinador do Sporting. Acima de tudo deve estar a justiça para com o grupo de trabalho. Por isso mesmo, apesar de raramente actuar, Tiago foi premiado, pelo seu profissionalismo, com a renovação contratual por mais um ano, enquanto que Stojkovic tem as malas à porta de Alvalade...

Foto: Hugo Santos

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Opinião: Treinadores do 'quase'...

Caros amigos, depois de alguns dias de ausência, cá estou de regresso ao Rola a Bola, agora de forma mais permanente. Escolhi como tema deste meu texto, um conceito que está muito em voga no futebol actual: os treinadores do 'quase', aqueles que ficam à beira da conquista de títulos, mas que nada vencem.
Vem este tema a propósito das recentes declarações de José Mourinho acerca da temporada do Chelsea. O clube londrino esteve perto de vencer Liga dos Campeões (perdeu na final no desempate por 'penalties'), Campeonato (ficou no segundo lugar a dois pontos do campeão) e Taça da Liga (perdeu na final com o Tottenham), mas não arrebatou qualquer troféu. O 'Special One' veio a público dizer que a temporada do emblema de Stamford Bridge foi má, contrariando o balanço positivo feito por Avram Grant, recentemente despedido, após oito meses ao comando dos 'blues'. Concordo em absoluto com José Mourinho. Depois de três épocas consecutivas com dois títulos conquistados, o Chelsea, não obstante andar perto dos triunfos, nada ganhou. Num clube habituado a somar títulos nos três anos do técnico português, e face ao valor do plantel, sem dúvida que 2007/2008 só pode mesmo ser classificada como uma época negativa. Muito negativa.
No entanto, ser um treinador do 'quase' não é necessariamente ser mau. Tudo depende, na minha óptica, do clube que um técnico representa e das condições que encontra. Em Portugal, muitos catalogam José Peseiro como um treinador do 'quase', não lhe reconhecendo qualidades. É certo que este treinador tem andado perto dos títulos e estes lhes têm fugido, mas há que reconhecer que Sporting e Panathinaikos não eram clubes estáveis e habituados a ganhar. Em pouco tempo, andaram perto. Nesse sentido, e em meu entender, José Peseiro tem sido um treinador do 'quase', é certo, mas tem feito bons trabalhos, aos quais tem faltado dar a sua continuidade.

Foto: Hugo Santos